segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

The Revenant

THE REVENANT
de Alejandro González Iñárritu
com: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson,
Will Poulter e Forrest Goodluck
Iñárritu não consegue fazer um mau filme. Aliás, não consegue mesmo fazer um filme que não seja, no mínimo, bom. Começou logo com o visceral Amor Cão, seguiram-se os curiosos 21 Gramas e Babel para completar a Trilogia da Morte, regressou com impacto aos filmes de língua espanhola em Biutiful e, no ano passado, atingiu o ponto alto da carreira com o infinitamente premiado Birdman. A carreira nem é longa, e os filmes por ele assinado são ainda escassos, mas parece natural aguardar com elevadas expetativas os seus trabalhos.

É precisamente com essas elevadas expetativas que estreia hoje nas nossas salas The Revenant, a sua mais recente obra. À sua já conhecida mestria na cadeira de realizador (com os planos sequência como imagem de marca) voltou-se a juntar o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki e um elenco de luxo, onde figuram alguns dos nomes mais sonantes do panorama atual do cinema, com Leonardo DiCaprio e Tom Hardy à cabeça. Adaptação do livro com o mesmo título de Michael Punke, a narrativa desenrola-se no início do século XIX, em plena época de luta entre americanos e índios. Hugh Glass é o seu protagonista: um osso duro de roer que ajuda a fação militar liderada pelo Capitão Andrew Henry a caçar peles de animais. Contudo, após lutar contra uma ursa, Glass é gravemente ferido e, de seguida, traído por Fitzgerald, que o deixa entregue a uma morte certa.

O que se segue é a jornada de Glass por florestas e cascatas e precipícios e mais uma série de perigosos caminhos que terá de percorrer para se reunir com os seus companheiros e conseguir a sua vingança. Este percurso dá, felizmente, lugar a poucos diálogos e ao predomínio da mímica e das expressões faciais de DiCaprio. Porquê felizmente? Porque o argumento falado é francamente fraco, ainda para mais em contraste com outros aspetos absolutamente estrondosos que se podem encontrar em The Revenant (e dos quais irei falar mais à frente): é dominado por clichés, por exposição, por conversas que não raras vezes não conseguem passar de um nível banal. As interpretações do elenco, e em especial a de DiCaprio (já que a sua personagem está ora incapacitada de falar devido aos ferimentos causados pelo urso, ora completamente sozinha), são fantásticas, aí sim, nas cenas em que não falam, em que batalham contra índios ou contra a própria natureza, em que os seus pensamentos interiores e sentimentos têm que ser expressados corporalmente. Não que eles não saibam proferir as suas deixas, longe disso, mas porque as mesmas não estão ao nível daqueles que as interpretam.

Não obstante, este é um problema que podemos ignorar facilmente. A força dos atores lá consegue ir disfarçando uma ou outra fala mais fraca e a nossa atenção está longe de estar aí concentrada. Cria-se uma poderosa atmosfera que nos transporta para o centro filme sem nunca nos abandonar. Ver The Revenant é sentirmo-nos arranhados pela ursa, é estarmos gelados no meio da neve, é ter vertigens dos precipícios… é uma grande experiência em sala que muito tem de agradecer a mais um sublime trabalho de fotografia de Lubezki (se há justiça no mundo, vem aí o seu terceiro Oscar consecutivo) e à realização brutal de Iñárritu. Entre a beleza das paisagens naturais (o próprio realizador evitou green screens, caso contrário o filme seria, nas suas palavras, “um pedaço de merda”) e os planos fechados nas personagens, não há como escapar ao pesadíssimo ambiente do filme e, muito tempo depois de rolarem os créditos finais, ainda nos sentimos presos às imagens a que acabámos de assistir.

A simples (e, a dado momento, previsível) história de vingança de Glass torna-se assim numa aventura que nos tira o fôlego e nos coloca com os nervos à flor da pele. Frio, cruel, visceral e não poupando na violência das imagens, o filme transforma em fascinante aquilo que, nas mãos de outro realizador, se poderia tornar saturante. Duas horas e meia a seguir um homem sozinho na neve? Ou se sabe o que se está a fazer ou não demorará muito até que a extensa duração comece a sentir-se. E Iñarritu sabe melhor que ninguém o que está a fazer: não só representando realisticamente tudo aquilo com que Glass se depara na sua viagem, mas também tocando nalguns pontos interessantes daquela fase da história americana e recriando fielmente uma época tensa, caraterizada pela selvajaria do ser humano e pela sua perda de valores éticos e morais, o realizador prende o espectador do início ao fim, levando ao limite as suas personagens (e atores que as interpretam) para que estas ofereçam uma experiência fortíssima. Não se pode dizer que o ritmo se mantenha constante ao longo de toda a fita (os flashbacks à la Malick pouco acrescentam e quebram, por momentos, o tom do filme), mas também é inegável que, a partir de uma narrativa à primeira vista muito escassa em sumo, se consegue espremer muita emoção, muita brutalidade e, acima de tudo, muita qualidade.

E que dizer dos dois atores principais? Sim, porque para além de DiCaprio temos ainda um Tom Hardy brilhante e que talvez até consiga surpreender mais gente (e que, inexplicavelmente, parece não estar a ter o devido reconhecimento nesta award season). DiCaprio tem uma performance impecável, um das melhores da sua carreira, num registo um pouco diferente daquele a que nos habituou, mas Hardy espanta não só por uma interpretação excelente mas também pela forma como nos faz detestar o seu Fitzgerald. Se até agora as suas personagens eram geralmente “gostáveis”, desta vez conseguiu criar um antagonista perfeito. Nos papéis secundários, destaque para Domhnall Gleeson, ator em clara ascensão e que, a cada filme que faz, vai dando mais e mais provas de grande talento e versatilidade.

Afirmando-se, assim, como um dos grandes candidatos a todos os Oscars para os quais está nomeado, servido de uma fabulosa realização e de performances por parte do seu elenco, The Revenant é um das grandes experiências a que temos agora oportunidade de ver no cinema (só as paisagens em ecrã gigante valem cada cêntimo do bilhete). Pode pecar apenas por incluir alguns pormenores que não estão no livro para transformar Glass numa personagem mais relacionável (e nem é por acaso que é daí que nascem as piores fases do argumento), mas, quando um filme deste calibre nos deixa de tal forma abalados e nos acompanha muito depois de sairmos da sala, não são estes pequenos detalhes que lhe retiram todo o valor.

8,5/10

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Um regresso 2.0 e Oscars 2016

Este blogue já não vê textos desde outubro. O último escrito por estas bandas data de setembro, as únicas publicações que se seguiram foram apenas teasers para as críticas que escrevo no Espalha-Factos. Estou há cerca de dois meses e meio sem vir aqui. O tempo escasseia, a inspiração para novos textos também não anda nada famosa e o trabalho quer na universidade quer no EF (entretanto tornei-me, com muito orgulho, editor da secção de cinema do site) vai pondo o blogue cada vez mais de lado. Por isso, algumas coisas vão mudar: neste espaço só se vão escrever críticas e mini textos de opinião, nada de notícias, obituários, etc.; acabou-se a rubrica Os Meus Milímetros Favoritos, se me apetecer escrever sobre um dos meus filmes preferidos, escrevo e pronto, não o vou estar a inserir numa rubrica cujo nome cada vez mais me desagrada; para poupar tempo, não venho aqui fazer os típicos textos que remetem para as críticas que escrevo no Espalha-Factos, em vez disso, faço no final do mês um só post onde ponho todos os links de críticas, reportagens ou o que quer que tenho feito no site. Pode parecer que estou a matar aos poucos o blogue, mas isto serve para reavivá-lo, para lhe voltar a dar identidade própria (cada vez mais isto era um armazém das coisas que redijo no EF) e para me sentir mais leve com isto.

Dito isto, vou falar rapidamente das nomeações para o Oscars. Ainda não vi alguns dos nomeados (incluindo metade dos candidatos a Melhor Filme), por isso o que se segue são apenas comentários aos filmes a que assisti:

- É tão bom ver "The Revenant" nomeado para 12 estatuetas! Mais duas nomeações e passava a ser, juntamente com "All About Eve" e "Titanic", o filme mais indicado de sempre. Parece-me o candidato mais forte a arrecadar as principais categorias como Melhor Filme e Melhor Realizador, e cheira-me que é desta que o DiCaprio ganha o Oscar de Melhor Ator. A maior surpresa nas suas nomeações é, mesmo assim, Tom Hardy: passou a award season a ser desprezado e agora, finalmente, lá está no leque de melhores interpretações secundárias. Mais merecido que isso seria a vitória, mas parece que essa vai para o Stallone (não posso dizer se é justo, já que ainda não vi o "Creed").
- Considero uma perfeita estupidez a nomeação de "Mad Max" a Melhor Filme. Gostei do filme, divertiu-me e entreteve-me q.b., tem uns estrondosos efeitos práticos e foi uma grande lufada de ar fresco no universo dos blockbusters. Mas é só isso. De resto, é uma fita dominada por personagens com as quais não criei grande empatia a desenrolarem uma história básica e previsível. Saí da sala satisfeito mas não com vontade sequer de rever o filme, e estava longe até de imaginá-lo como possível candidato aos Oscars nas principais categorias.
- Onde raio está a nomeação de Melhor Argumento para "Steve Jobs"? O filme vive do argumento do Aaron Sorkin: é rápido, é divertido e não para por um segundo que seja. Sem ele, o filme perdia completamente o ritmo e duvido que tanto o Fassbender como a Winslet (merecidamente nomeados, principalmente a atriz, que nem me importava de ver conquistar o Oscar) conseguissem ter interpretações tão boas sem os incríveis diálogos que tiveram à disposição.
- Rooney Mara nomeada para Melhor Atriz Secundária quando tem tanto tempo de ecrã quanto Cate Blanchett, nomeada para Melhor Atriz. Qual é o sentido disso?
- Felicíssimo por ver "Inside Out" nomeado para Melhor Argumento Original. Só lhe faltou ser nomeado para Melhor Filme (merecia mais que "Mad Max"...)
- "Sicario" foi outro filme que passou o ano a ser ignorado na award season e consegue duas merecidíssimas nomeações para Melhor Fotografia, Melhor Banda Sonora e Melhor Edição de Som. Emily Blunt e Benicio del Toro ainda cabiam bem nas categorias de melhores interpretações do ano.
- "Star Wars: O Despertar da Força" acaba por ser um flop depois de um hype sem precedentes, que fez com que os fãs, ainda antes de verem o filme, andarem a apostar nele como um forte candidato para Melhor Filme. A meu ver, está nomeado onde deve estar: nas categorias técnicas, contando ainda com o bónus de Melhor Montagem, geralmente destinado apenas a candidatos a Melhor Filme.
- "Ex Machina" merecia muito mais do que apenas duas nomeações.

Quando vir todos os filmes nomeados, talvez venha cá atualizar esta lista. Quer-me parecer que vou embirrar, como sempre, com a nomeação de Jennifer Lawrence (quem é que raio ainda tem pachorra para ela?), mas é bom ver que a Academia já não anda a nomear o O'Russell por tudo e por nada. Para os curiosos, dos filmes nomeados para Melhor Filme ainda me faltam ver: "Brooklyn", "Room", "Spotlight" e "The Martian", e devo dizer que estou bastante curioso em vê-los (ao contrário de outros indicados a outras categorias, como é o caso de "A Rapariga Dinamarquesa" e "Joy"). Fica aqui a lista completa de nomeados: http://oscar.go.com/nominees.

Acabo que está o tema dos Oscars, fica a aqui a lista de textos que escrevi no Espalha-Factos e que não vim cá publicar:
Por agora é tudo. Fiquem atentos que agora vou começando a escrever com mais regularidade aqui no blogue, começando já nos próximos dias com críticas aos filmes nomeados.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Os Meus Milímetros Favoritos: NON, OU A VÃ GLÓRIA DE MANDAR (1990)

NON, OU A
VÃ GLÓRIA DE MANDAR

de Manoel de Oliveira
com: Luís Miguel Cintra, Diogo Dória, Miguel Guilherme,
Luís Lucas, Carlos Gomes, Ruy de Carvalho
e Leonor Silveira
Ser português é olhar para trás na nossa História e constatar uma série de triunfos que, num enorme contraste com a situação atual do país, faziam de nós uma das maiores e mais ricas nações do mundo. Seria portanto de supor que um filme como Non, ou a Vã Glória de Mandar, que se propõem a olhar para o nosso passado, fosse recriar no grande ecrã um conjunto de episódios gloriosos do passado de Portugal.

Contudo, o épico de Manoel de Oliveira – que relembramos hoje no Hollywood, tens cá disto? não só em jeito de homenagem ao realizador que este ano nos deixou, mas também para antever o ciclo a que o mestre do cinema português tem direito na Viennale que agora decorre na Áustria –olha antes para Portugal segundo uma perspetiva da derrota. O nosso “guia turístico” por essa série de infortúnios, nascidos de um desejo de expandir o nosso Império, é o tenente Cabrita, que em plena África durante a Guerra Colonial vai partilhando e discutindo com os seus colegas de batalhão visões sobre o nosso passado.

Desde o assassinato de Viriato até à infame Batalha de Alcácer-Quibir, são percorridos séculos de derrotas, ligadas todas elas a uma sede insaciável de alargar o Império Português o mais possível, com resultados sempre trágicos. Os próprios protagonistas que vão narrando os flashabcks vivem naquele que foi o último suspiro do colonialismo nacional, surgindo várias discussões entre soldados (uns a favor do regime salazarista e apoiantes da guerra, outros sentindo-se obrigados a combater por uma causa na qual não se reveem) sobre a Guerra Colonial.

Para além de ser um dos meus filmes favoritos, Non... marca também o regresso da rubrica "Hollywood, Tens Cá Disto?" do Espalha-Factos. É lá que podem encontrar a revisitação completa a este grande título do cinema português.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Crimson Peak: A Colina Vermelha

CRIMSON PEAK
de Guillermo Del Toro
com: Mia Wasikowska, Tom Hiddleston, Jessica Chastain,
Charlie Hunnam e Jim Beaver
Guillermo del Toro está de regresso ao mundo da fantasia e dos fantasmas com Crimson Peak: A Colina Vermelha, uma produção repleta de grandes cenários gótico-românticos do século XIX onde decorre uma sinistra história de amor e mentiras. A antestreia teve lugar no Cinema São Jorge na passada quarta-feira, onde várias celebridades e membros da imprensa se juntaram para assistirem a um desfile dos criadores Storytailors alusivo ao tema do filme.

O desfile contou, para além de uns poucos convidados que seguiram o dress code proposto, com alguns figurantes, pintados de vermelho e de preto, segurando velas e ostentando um vestuário magnífico. Por momentos, o São Jorge  tornou-se num fantástico palco de figuras tão belas quanto misteriosas, estando por isso o grupo Storytailors de parabéns por ter criado o ambiente indicado para a visualização de Crimson Peak.

Mas vamos ao que realmente interessa: o filme. A história gira em torno de um trio de personagens: Edith Cushing, filha de um rico homem de negócios, aspirante escritora e assombrada desde criança pelo fantasma da sua mãe; Thomas Sharpe, um aristocrata britânico à procura de investidores para extrair argila com uma nova invenção; e Lucille Sharpe, irmã de Thomas. Quando o pai de Edith morre acidentalmente, a jovem casa com Thomas e muda-se para Inglaterra com os dois irmãos para começar uma nova vida. Só que aquilo que pareceria um novo começo rapidamente se torna num pesadelo, à medida que ela vai descobrindo as verdadeiras intenções do marido e da cunhada.

Para lerem a crítica e verem algumas das fotos da antestreia, só têm que ir ao Espalha-Factos

À Procura de Uma Estrela Parece

BURNT
de John Wells
com: Bradley Cooper, Sienna Miller, Daniel Brühl,
Riccardo Scamarcio, Omar Sy, Sam Keeley,
Matthew Rhys e Emma Thompson
Passo um: escolher meia dúzia de ingredientes e temperá-los o mínimo possível. Passo dois: juntá-los num tacho a lume brando e ir mexendo lentamente sem deixá-los ganhar muito sabor. Passo três: empratá-los de forma cuidada e bonita para deixar os clientes a salivar, sem que estes notem tão nitidamente o quão insípido é o que estão a degustar. Se À Procura de Uma Estrela Parece fosse um cozinhado, esta seria a sua receita. Mas não, trata-se antes do novo drama de Bradley Cooper dirigido por John Wells que hoje chega a Portugal.

Conta a típica história do “herói caído em desgraçada que quer a todo o custo voltar à ribalta”, desta vez servida no mundo da cozinha. Adam Jones é o protagonista, o ex-protégé de um dos maiores chefes de Paris que, há três anos, foi engolido pelo inferno da droga e da bebida. Agora, recomposto e livre dos vícios do passado, está pronto para voltar ao topo, e com um novo restaurante ao seu comando o único objetivo é alcançar a sua terceira estrela Michelin.

Lida a sinopse, o que se pode esperar de À Procura de Uma Estrela? Com certeza ninguém irá à sala com expectativas de encontrar grandes surpresas no desenvolvimento da narrativa, ou um desfecho que contrarie o happy ending inerente a este tipo de produções ou até personagens de grande profundidade. O filme segue todos os contornos que parecem já pré-definidos quando se pega numa história destas. Há o herói com problemas do passado já superados, embora se desconfie que mais tarde ou mais cedo volta a eles; há o pequeno romance entre dois sujeitos que de início não se suportam um ao outro mas que rapidamente vão descobrir que foram feitos um para o outro; há uma moral que Adam terá de aprender sobre confiar nas pessoas e não fazer tudo sozinho; etc…

A crítica completa encontra-se no Espalha-Factos

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sicario – Infiltrado

SICARIO
de Denis Villeneuve
com: Emily Blunt, Benicio Del Toro, Josh Brolin
e Daniel Kaluuya
Desde que o seu Incendies – A Mulher que Canta foi nomeado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010, o canadiano Denis Villeneuve tem-se vindo a afirmar como um dos mais interessantes realizadores do panorama do cinema actual. Sicario – Infiltrado, que estreia hoje nas salas nacionais, é o seu mais recente trabalho e leva-nos até ao México para assistirmos à war on drugs entre EUA e os cartéis mexicanos.

Os protagonistas da narrativa são Kate Macer e Alejandro Gillick. Ela é uma agente do FBI destacada para ir até ao México como parte de uma equipa de elite selecionada para apanhar os responsáveis de um atentado que matou dois agentes federais. Ele é o parceiro do líder da equipa e está ligado à missão (e em especial a um dos maiores traficantes de droga mexicanos) de uma forma muito mais pessoal, mas recusa-se a explicar a Kate as suas verdadeiras intensões, criando um clima de desconfiança entre os dois.

O que mais se sente logo à partida é o tom pesadíssimo do filme. Desde a cena de abertura (que nos dá um murro no estômago logo a abrir com muita tensão, violência e uma grande quantidade de imagens fortíssimas) até ao último plano, está sempre presente um clima sombrio que acompanha todos os momentos da narrativa e que assombra cada passo que as personagens dão.

Leiam a crítica completa no Espalha-Factos

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A Visita

THE VISIT
de M. Night Shyamalan
com: Olivia DeJonge, Ed Oxenbould, Deanna Dunagan,
Peter McRobbie e Kathryn Hahn
NOTA: A Visita foi o filme de abertura do MOTELx e já falei sobre ele no Espalha-Factos, já que é pelo site que estou a cobrir o festival. Esta trata-se, por isso, de uma segunda crítica onde expresso a exata mesma opinião mas onde pude alargá-la. O resultado não foi grande coisa (o cansaço de escrever todos os dias três pequenas críticas já se faz sentir) e por isso, caso não fiquem satisfeitos com o que se segue, convido-vos a lerem a reportagem do primeiro dia do MOTELx aqui.

Decorria o ano de 1999 quando estreou O Sexto Sentido. Embora este não fosse o primeiro filme que realizava, M. Night Shyamalan era um novato nestas andanças da sétima arte, com apenas dois e discretos títulos no currículo. Porém, foi com o lançamento deste thriller que ganhou logo uma grande base de fãs e o apreço dos críticos, e O Sexto Sentido acabou, entre tantas outras nomeações, indicado a seis Oscars. Mas a carreira promissora que se avistava no horizonte (chegou a ser tido como “o novo Spielberg”) cedo começou a desenvolver-se ao ritmo de uma estrela cadente…

Estamos hoje em 2015 e podemos afirmar que Shyamalan é um fascinante case study. Como é possível que o homem por detrás de O Sexto Sentido (e já agora de O Protegido e Sinais, as duas longas que se seguiram e que são até bastante interessantes) tenha batido no fundo tão rápido? Um fundo que ora dá pelo nome de O Acontecimento, ora se chama A Senhora da Água, ora se apelida de O Último Airbender. O seu último filme, Depois da Terra, foi até uma desilusão na box-office e a produtora tentou esconder o seu nome nas campanhas de promoção. Shyamalan tornou-se, em década e meia, sinónimo de fracasso.

Eis então que nos chega A Visita, o seu mais recente trabalho que marca um regresso às origens e ao género do terror/thriller. Adotando agora o estilo found footage, Shyamalan narra a semana que os irmãos Becca e Tyler passam com os seus avós, que nunca conheceram, numa vila pacata e isolada. Só que uns dias que se previam calmos e tranquilos afinal tornam-se num inferno quando os dois jovens testemunham vários comportamentos sinistros dos seus familiares.

Esta é a sinopse típica de uma fita deste género. E A Visita de facto não se diferencia muito de tantas outras coisas de terror que por aí estreiam: oferece um par de bons jump scares mas 90% dos sustos acabam por ser previsíveis; nada de grandes atores nem grandes diálogos; uma grande quantidade de clichés irritantes daqueles que na “vida real” dificilmente aconteceriam, desde a câmara que nunca cai direita no chão às personagens que, assustadas e/ou atacadas pelos avós, não deixam nunca cair os seus dispositivos de filmagem (que convenientemente nunca os para de focar); e a inclusão de momentos “fofinhos” que destoa o tom do filme nalgumas cenas.

Há, claro, alguns momentos mais bem conseguidos aqui e acolá. Por exemplo, a personagem, Becca parece representar o pretensiosismo que alguns documentaristas possuem e vai oferecendo umas falas que bem podiam sair da boca de alguns realizadores. O plot twist, indispensável num Shyamalan, embora ponha em causa algumas situações anteriores no filme, não deixa de ser interessante e aumenta a tensão nos instantes finais passados em casa dos avós dos dois jovens protagonistas. A Visita não é assim um filme mau; postos os prós e os contras nos pratos de uma balança, esta ficaria equilibrada.

Contudo, há algo que joga e muito a favor do filme e que o põe uns furos acima do mediano: não se leva muito a sério. Quantos de nós já estão fartos daqueles realizadores presunçosos, com a mania que os seus trabalhos significam um passo em frente no género do terror, quando não passam de um carnaval de lugares comuns sem pingo de genuinidade? O próprio Shyamalan tem feito filmes anedóticos que se tornam insuportáveis porque ele acredita que são, de facto, bons. Desta vez, vemos o ambiente sombrio quebrado não pela bazófia de um cineasta mas sim por umas quantas tiradas cómicas. Por vezes estas são meio parvas, especialmente porque acontecem num contexto onde as personagens estariam demasiado assustadas para se lembrarem de uma piada, mas ao menos tornam o visionamento da fita muito mais divertido, oferecendo umas boas gargalhadas.

Portanto, este não é o filme que marca o regresso em grande de M. Night Shyamalan que alguns esperavam. Mas, tendo em consideração estarmo-nos a rir pela primeira vez em muitos anos com ele e não dele, dá a impressão de que o realizador já aprendeu a lição e se apercebeu dos quão idiotas foram os seus anteriores projetos. Daí até voltar a oferecer-nos uma obra de elevada qualidade pode ser uma questão de tempo… Até lá, temos em sala A Visita, que satisfará os menos exigentes com um bom par de sustos e os entreterá durante uma horita e meia.

6/10

PS.: Entretanto li algures que o Shyamalan está a preparar-se para fazer a sequela d'O Último Airbender. O último parágrafo fica um bocadinho sem efeito, mas vou deixá-lo como está porque, primeiro, não tenho tempo para reescrevê-lo e, segundo, tenho esperanças que o realizador, por milagre, mude de ideias até lá.

sábado, 5 de setembro de 2015

A Ovelha Choné – O Filme

SHAUN THE SHEEP MOVIE
de Mark Burton e Richard Starzak
A Ovelha Choné tornou-se nos últimos anos uma das personagens mais adoradas e carismáticas dos estúdios Aardman, e o salto do pequeno ecrã para a grande tela do cinema já se adivinhava, e parecia até lógico, dado o sucesso que teve junto de miúdos e graúdos. Esse salto concretizou-se este ano e, após a estreia na última edição do MONSTRA, A Ovelha Choné – O Filme chegou finalmente ao circuito comercial.

Esta primeira incursão da simpática ovelha e companhia no cinema leva as personagens ovinas, o simpático cão de guarda e o seu dono a abandonarem a quinta onde a série televisiva decorre para se aventurarem pela grande cidade, onde todos vão viver uma sucessão de acontecimentos insólitos.

Não se pense, contudo, que um novo palco de aventuras alterará a essência dos protagonistas. Apesar desta mudança de cenário, o humor caraterístico do programa e a criatividade na construção das várias peripécias dos nossos protagonistas continua patente. Aliás, com a ação a decorrer agora numa grande metrópole, há muitos mais sítios e oportunidades para se criarem novos episódios hilariantes. Desde logo aparecem novas personagens que nunca encontraríamos numa quinta, desde o tenebroso caçador do canil, que funcionará como o vilão do filme, até a um cão rafeiro que se juntará à Ovelha Choné para resolverem todas as situações com que se deparam.

Leiam a crítica completa no Espalha-Factos